João Donato: 60 anos de música moderna a transversalidade da sua obra atravessa gerações e estilos
18.03.09
Dia 17 de agosto de 2009 João Donato completa 75 anos de vida, 60 deles dedicados à genuína música moderna. E isso não é apenas um jeito de falar. No ano passado, o compositor, pianista e arranjador brasileiro compôs e se apresentou ao lado de músicos de estilos e gerações das mais variadas no mundo inteiro: Orquestra Sinfônica da Rússia, Fernanda Takai, Carlos Lyra, Nelson Motta, Bud Shank, Bebel Gilberto, Roberto Menescal, Marcelo D2, Paula Lima, Till Brönner, Roberta Sá, Emílio Santiago, Joyc etc.
Desde 1949, quando fez sua primeira gravação profissional, tocando acordeon, no disco de estréia do flautista Altamiro Carrilho, João Donato reverbera bossa nova, samba, baião, bolero, jazz, música de concerto, canção popular, temas instrumentais, sons eletrônicos, até mesmo o fund, o hip hop e o rock. A transversalidade da obra de Donato atravessa mais de meio século e deságua nele mesmo.
Músicos, pesquisadores, críticos e escritores tentam explicar o paradoxo da simplicidade da música simples criada e executada no seu piano. Em referência aos dons naturais do parceiro, Gilberto Gil apelidou-o de João Dó Nato. É Gil quem explica: “Certa vez, eu fiz essa brincadeira com o nome do meu querido João para expressar a nítida impressão que ele me dá de ter com a música uma ligação física. Na verdade não foi uma brincadeira partindo de quem, como eu, sabe que João forma com a música uma espécie de ovo mágico, ele e a música, gema e clara desse ovo. É o mesmo Donato de sempre, chocado e nascido nota musical”. Juntos, Donato e Gil compuseram algumas das mais permanentes canções da música brasileira, “A paz”, “Lugar comum”, “Terremoto”, “Emoriô”, entre elas.
De acordo com o jornalista Sergio Augusto, no livro “Cancioneiro Jobim”, quando perguntavam a João Gilberto de onde ele tirara a inspiração para criar a batida da bossa-nova, o baiano dizia “ter aprendido olhando João Donato tocar piano”. Originalmente um homem da música instrumental, aos poucos João passou a ver seus temas transformados em canções, letrado por Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Lysias Ênio, Abel Silva, Ronaldo Bastos, Paulo André Barata, Norman Gimbel, Sidney da Conceição, Ruben Confeti, Gutenberg Guarabyra, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Martinho da Vila, Cazuza e até João Gilberto. Assim nasceram “A rã”, “Simples carinho”, “Gaiolas abertas”, “Amazonas”, “Minha saudade”, “Nasci para bailar”, “Doralinda”, “Surpresa”, “Naquela estação”, “Até quem sabe”, “Everyday”, “Ê menina”, “Xangô é de Baê”.
Nas palavras do crítico Zuza Homem de Melo, “sua obra foi sendo descoberta sem urgência, à medida que as letras foram incorporadas a seus temas. Deixou de ser o autor pré-bossa-nova idolatrado pelos músicos e vocalistas de conjuntos dos anos 50, ou o jazzista latino que tocava na Califórnia nos anos 60. Donato converteu-se de autor temas em compositor, tornou-se a Gata Borralheira da música brasileira”.
É ainda Zuza quem define a música de Donato como “original, excêntrica, heterodoxa, essencialmente harmônica. A melodia pueril esconde um encadeamento de mudanças sutis, tem uma condução lógica, uma solução brilhante; o ritmo enganadoramente desencontrado tem um impulso dançante interno alimentado pela síncope. Depois de terminada a canção é que se revela a coerência do desenvolvimento singular, partindo de uma idéia tão simples”.
O escritor americano Allen Thayer ressalta que “Na falta de um nome para seu estilo musical, o estilo de Donato tem um som distinto, imediatamente reconhecível desde os primeiros compassos de qualquer de suas músicas. Suas composições são aparentemente simples, enquanto seus arranjos são harmonicamente complexos, (...) revelam detalhes intrincados depois de ouvidas várias vezes”.
Para o jornalista, escritor e letrista Nelson Motta, “João Donato é um dos grandes entre os grandes, que tinha Tom Jobim entre seus grandes fãs, com seu suingue minimalista e suas melodias fluidas e fluentes como rios”. Ainda Motta: “Sua música integra organicamente o jazz, o samba e os ritmos latinos e uma linguagem musical de grande personalidade, que traduz com precisão o sonho de simplicidade, elegância e sofisticação da Bossa Nova. Esse é um dos dons de Donato. É como se ele fizesse sempre a mesma música, mas sempre diferente. O que faz dele um dos nossos maiores estilistas.”
O jornalista Ruy Castro vê na música de Donato uma “permanente pororoca musical que incorporou a Bossa Nova clássica e ao devolvê-la, gerou uma química tão mais à frente que só agora, no novo milênio, é que estamos conseguindo percebê-la”.
João Donato de A a Z - Parceiros
Abel Silva, Almir Chediak, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Aldir Blanc, Alexandre Muzzilo
Bezerra da Silva, Berna Cerpas, Beth Carvalho, Bob Gluck, Baby do Brasil
Caetano Veloso, Chico Buarque, Cazuza, Carlos Lyra, Cláudio Slon, Cedar Walton, Carlinhos Brown, Carmen Costa, Carlos Bivar
Deodato, Durval Ferreira, Dolores Duran, Don Friedman, Dora Lopes, Djalma Ferreira
Eloir de Moraes, Edson Maciel, Edson Lobo, Everardo Castro, Eliana Pitman
Fausto Nilo, Fernanda Takai, Francisco Blanco, Francisco Bosco, Fernando Alge
Gilberto Gil, Gutemberg Guarabyra, Geraldinho Carneiro
Haroldo de Campos Hamilton Holanda, Hod O’brien, Helio Celso
Ion Muniz
João Gilberto, Joyce, João Bosco, João Mello, João Carlos Pádua, João Luiz Maciel, Jota Canseira, Jacques Brel, Julio Montoro, John Ulhoa
Kassim, Kátia Barbosa
Lysias Enio, Linox, Leonardo Touch
Marcelo D2, Marisa Monte, Miúcha, Marcos Vale, Martinho da Vila, Moraes Moreira, Marcelinho da Lua, Mike Kurbs, Marku Ribas
Nelson Motta, Norman Guimbel, Nilo Batista
Orlandivo
Paulo Moura, Paulo André Barata, Paulo César Pinheiro, Paulo Sérgio Valle, Patrícia Del Sasser
Q
Ronaldo Bastos, Roberto Menescal, Reco do Bandolim, Rubens Confeti, Ruy Barata, Rodrigo Teixeira, Roxane Seeman
Sidney da Conceição
Tom Jobim, Thalma de Freitas, Tita Lobo, Totonho Villeroy, Taeko Onuki, Tarci Guimarães, Tavinho Paes
Ubiratan Aguiar
Vartan Tonoian
X
Yana Purim
Zé Catimba
João Donato de A a Z - Intérpretes
Adriana Calcanhoto, Ângela Rô Rô, Antônio Adolfo, Alaíde Costa, Ana Martins
Bebel Gilberto, Black Eyed Peas, Bia Biaggi
Caetano Veloso, Chico Buarque, Os Cariocas, Carmen Costa, Claudete Soares, Caçulinha, Cris Delano, Carlos Bivar, Chico Pinheiro
Donatinho, Daniela Mercury, Djavan, Dalila Couti, Dominguinhos
Emilinha Borba, Ed Motta, Edu Lobo, Elba Ramalho, Eduardo Dusek, Emílio Santiago
Fafá de Belem, Filó Machado
Gal Costa, Gilberto Gil
Hebe Camargo
Ivan Lins, Ivete Sangalo, Isabela Paz
Joyce, João Bosco, Johnny Alf, Juanes, Jovanotti
Kazuo Yoshida
Leny Andrade, Luiz Bonfá, Lenine, Lisa Ono
Miúcha, Marcos Vale, Marcelinho da Lua, Mônica Salmaso
Nara Leão, Nana Caymmi, Noriko Ito, Nonato Luis
Orlando Morais, Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, Orquestra Sinfônica da Rússia, Orquestra Sinfônica de Moscou
Paula Morelenbaum, Paula Lima, Palmyra & Levita, Pery Ribeiro
Q
Rosa Passos, Roberto Menescal, Rosinha de Valença
Sérgio Mendes, Sandra de Sá
Tita Lobo, Totonho Villeroy, Tânia Alves, Thais Fraga, Taeko Onuki, Till Bönner
Ubiratan Aguiar
V
Wanda Sá, Will.I.am
X
Yanna Purim,
Zeca Pagodinho, Zizi Possi, Zélia Duncan, Zé Renato