A modernidade sem fim de João Donato
Vinicius Mesquita UOL - 02.08.08
João Donato era amigo de Lúcio Alves e Dick Farney e, posteriormente, de João Gilberto, Luis Bonfá, Eumir Deodato e qualquer outro nome relacionado à bossa nova bebê do final dos anos 1950. Mas Donato, que toca piano, acordeão e trombone, era fã da orquestra de Stan Kenton, símbolo genuíno do jazz estridente e sem concessões, sons definitivamente distantes dos sussurros do banquinho.
Sutilmente desenquadrado com as formas da bossa nova, João Donato foi um criador de temas desvinculados de rótulos musicais. Seja por entrevistas ou pelos textos dos encartes de seus álbuns, Donato deixou claro que nunca aceitou muito bem a rígida catalogação de estilos promovida por jornalistas, produtores e diretores de gravadoras.
João Donato gostava de criar música assobiando, sem muita matemática, mas com inesgotável emoção. Durante 13 anos, entre 1962 e 1975, ele produziu o melhor de sua carreira e da própria música brasileira. O programa será dedicado aos cinco álbuns mais importantes desse período.
Após temporadas nos Estados Unidos ao lado de músicos como Carl Tjader e Mongo Santamaria e na Europa com João Gilberto, gravou entre 62 e 63 dois discos fundamentais - 'Muito à Vontade' e a 'Bossa Muito Moderna' - com o trio formado pelo baixista Tião Neto e o baterista Milton Banana.
Retornou aos Estados Unidos com status de estrela da 'nova' música brasileira e gravou em 1965 o álbum 'Piano of Joao Donato - The New Sound of Brasil' sob a orquestração de Claus Ogerman. Em 1970, equipado de todos os teclados possíveis, fabricou jazz funk em 'A Bad Donato'com a companhia dos irmãos Pete e Conte Candoli nos trompetes, Jimmy Cleveland no trombone, Dom Um Romão na bateria e Eumir Deodato nos arranjos, entre outros.
Em 1975, disposto a ceder às canções, fez 'Lugar Comum', disco nobre da MPB, com apoio de Gilberto Gil e Caetano Veloso.