João Donato lança dois CDs e prepara turnê pelo Japão
Pedro Landim O Dia - 03.04.07
Do Japão , João Donato curte a sensação de paz. Mas nada a ver com espreguiçadeira, ou mão no bolso. Os dedos estão a mil por hora no piano, e a cabeça é uma fábrica de ritmos e encontros musicais. Antes de embarcar para o outro lado do mundo, em maio, para 15 shows em 30 dias, João deixa nas estantes brasileiras dois discos fresquinhos, lançados ao mesmo tempo e por gravadoras diferentes: Uma Tarde Com Bud Shank e João Donato (Biscoito Fino) — reencontro com o jazzista americano que o levou para gravar pela primeira vez nos EUA, em 1965 — e O Piano de João Donato (Deckdisc), onde pela primeira vez gravou apenas com seu piano, um disco de essência.
“Cheguei ao estúdio e saí tocando o que tinha vontade na hora, músicas que me davam prazer”, conta o músico, sobre sua primeira experiência sozinho ao piano. Aos 72 anos, com 58 de carreira, João é um musicaholic. O CD com o americano Bud foi gravado no mesmo esquema, em duas tardes de improviso, lembrando o encontro com outro soprista, Paulo Moura, gravado em 2006 no CD Dois Panos Pra Manga.
“Bud é jazz à moda americana. Paulo, à brasileira”, sintetiza João, que a tudo processa em seu piano de acento caribenho. Para o evento 100 Goldfingers, que reunirá 10 pianistas renomados no Japão, ele foi o único convidado latino-americano. “Gosto da paz que sinto por lá, mesmo sozinho, à noite, numa rua deserta”, diz João, que já tocou várias vezes no país.
No Rio, do encontro com Bud saíram Gaiolas Abertas, feita com Martinho da Vila, e Minha Saudade, com João Gilberto. No CD solo, gravou Jungle Juice, de Horace Silver, e Manhã de Carnaval. Homenagem à filha, Joana está nos dois discos. Mas sem estresse, na paz japonesa: é certo que Donato não toca igual, duas vezes, a mesma música.